Artigos de opinião

Fui diagnosticado. E agora? A Aceitação

Para terminar a série de posts acerca do processo de aceitação da doença, temos a última fase. A Aceitação.

Já sendo capaz de admitir que a doença existe, a pessoa procura obter informação, esforçando-se por ser autónoma. É um recomeço. Desta forma, nesta etapa, a família e os amigos são peças fundamentais na adaptação às novas rotinas.

Procurem juntos um enfermeiro que esteja presente e que vá acompanhando o processo de aprendizagem e adaptação, esclarecendo dúvidas, resolvendo pequenos problemas que podem vir a aparecer ao longo do caminho.

Não há dúvidas que, quando nos sentimos acompanhados, é muito mais fácil recomeçar. Nunca se esqueça disso. A sua saúde é preciosa, a saúde dos seus familiares e amigos é preciosa. Não perca a oportunidade de acompanhar alguém neste caminho de aceitar a doença. A sua presença pode fazer a diferença neste processo.

A aceitação da doença reflecte a vontade de enfrentar as suas implicações e para isto pode contar com profissionais diferenciados na MyNurse que pode dar todo o apoio necessário no conforto de sua casa. Saiba mais em www.mynurse.pt

 

 

 

Fui diagnosticado, e agora? A resolução

Continuando a falar sobre o processo de aceitação da doença, a próxima etapa pode ser considerada como uma pequena luz ao fundo do túnel: a Resolução.

A pessoa já começa a ser capaz de exprimir mais abertamente as suas emoções, tomando consciência de que a doença trouxe alterações para a sua vida e pode até começar a fazer perguntas, mostrando algum interesse.

Nesta fase, o mais indicado é incentivar a partilha de sentimentos. Por esta razão, sugerimos que faça sentir a sua presença junto da pessoa doente. Pode até sugerir conversar com um enfermeiro para colocar as dúvidas que tem sobre a doença.

Nesta fase, a presença de um profissional é imprescindível. Ajudar a pessoa a começar a responsabilizar-se pelo seu estado de saúde, tentando aprender mais sobre ela, é uma competência específica de enfermagem. Na MyNurse pode encontrar enfermeiros disponíveis para fazer este acompanhamento ao domicílio. Não hesite em saber mais informações. Visite a nossa página em www.mynurse.pt

Fui diagnosticado, e agora? Fase da Negociação

Temos vindo a deixar aqui no Blog MyNurse algumas dicas para que possa apoiar alguém que tenha recebido a notícia de uma doença. Independentemente do diagnóstico, todos passamos por um processo de adaptação à doença. As primeiras etapas já descrevemos em posts anteriores.

Depois do sentimento de raiva, entramos numa quarta etapa: a Negociação.

Nesta fase mais tardia, observam-se muitas vezes comportamentos de negociação. Por exemplo “se eu sobreviver, então prometo que vou ter mais cuidado”. Uma crença de que o diagnóstico foi um castigo e que portanto há a hipótese de negociar o desfecho daquela situação.

Nestes momentos, é importante manter o discurso de apoio baseado apenas na realidade. No que se sabe em concreto. Não vale a pena fazer projeções de futuro. Ajude a concentrar-se no presente e no dedicar toda a atenção ao que se sabe de momento.

É muito importante compreender que cada etapa não tem um período de tempo definido. Varia consoante cada caso e, além disso, a passagem entre etapas pode ser muito ténue. No entanto, conhecê-las pode ser importante para quem está apoiar a pessoa doente, contribuindo para uma maior compreensão do seu processo de aceitação interior.

Conversar com um psicólogo pode ser uma variante neste processo de aceitação que faz a diferença. Na MyNurse podemos ajudá-lo a encontrar um profissional que tenha um perfil que ajude a criar empatia com a pessoa doente. Não hesite em saber mais informações em www.mynurse.pt

 

Fui diagnosticado. E agora? Sentimento de raiva

Numa série de pequenos artigos sobre a adaptação à doença, a MyNurse publicou a semana passada um artigo sobre a primeira fase que pode ler aqui

A segunda fase da adpatação à doença após o diagnóstico é o

Sentimento de raiva

O sentimento que aparece a seguir é a raiva. Com a notícia do diagnóstico, a pessoa tende a responsabilizar terceiros pelo que lhe está a acontecer, queixa-se frequentemente e, neste caso, o mais indicado será não contradizer, mas ouvir as preocupações.

Nesta fase, a pessoa ainda não está preparada para enfrentar o futuro nem para ouvir as incertezas que a notícia da doença lhe trouxe. Precisa apenas de ter uma oportunidade para se sentir ouvida e acarinhada. Aqui ficam algumas pistas sobre como melhor ajudar:

  • Faça um convite para irem dar um passeio a um local tranquilo.
  • Desligue o telemóvel, demonstrando que está inteiramente disponível para ouvir.
  • Faça entender que o estar ali, perto dela não é uma perda de tempo.
  • Proponha receber a visita de um psicólogo ou de um enfermeiro em casa para poder discutir e apresentar as suas preocupações e opções disponíveis.

Na MyNurse, pode encontrar profissionais de sáude que estão disponíveis para esclarecimentos e realizar acompanhamento desta fase de adaptação à doença. Saiba mais em www.mynurse.pt 

Fui diagnosticado. E agora?

Quando algum de nós recebe a notícia do diagnóstico de uma doença, seja ela qual for, atravessa um período de adpatação que é natural ao processo de aceitação da doença.

Conhece alguém nesta situação? Não sabe como ajudar? A MyNurse decidiu publicar uma série de pequenos artigos em que apresenta algumas dicas que podem ser úteis para ajudar quem recebe um diagnóstico de doença.

 

 

 

 

Começamos pela Primeira fase da adpatação à doença após o diagnóstico que é a da

Negação ou incredulidade

Quando alguém que nos é querido recebe uma notícia destas, por vezes podemos observar algum comportamento típico de negação ou até de incredulidade. A pessoa não acredita que foi a si que lhe foi diagnosticada a doença, por vezes até pode comportar-se como se nada se tivesse passado. Pode evitar falar sobre o assunto, não se queixar. Pode até suprimir e distorcer todas as informações que não tenham sido apresentadas de forma clara.

O que podemos fazer? Nestas alturas é importante mostrar apoioempatia e procurar junto de um enfermeiro esclarecimentos pormenorizados de todos os procedimentos. Deve mostrar que está disponível só para o ouvir.

Na MyNurse sabemos o difícil que é ter de fazer este apoio sozinho, por isso temos enfermeiros disponíveis que fazem visitas ao domícilio e com quem pode sempre contar. Saiba mais em www.mynurse.pt  Estamos presentes em todas as fases da vida. Visite-nos em www.mynurse.pt

 

 

ALZHEIMER: O QUE É

 

Alzheimer é um tipo de demência que provoca uma deterioração global, progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas, nomeadamente a memória, a atenção, a concentração, a linguagem e o pensamento. Esta deterioração tem como consequências alterações no comportamento, na personalidade e na capacidade funcional da pessoa, dificultando a realização das suas actividades de vida diária. Quando a pessoa perde uma capacidade, raramente consegue voltar a recuperá-la ou reaprendê-la.

 

SINTOMAS DO ALZHEIMER

Os sintomas podem ser muito subtis. Começam frequentemente por lapsos de memória e dificuldade em encontrar as palavras certas para objectos do quotidiano. Estes sintomas agravam-se à medida que as células cerebrais vão morrendo e a comunicação entre estas fica alterada. Alguns sintomas característicos são:

  • dificuldades de memória persistentes e frequentes, especialmente de acontecimentos recentes
  • discurso vago durante as conversações
  • perder entusiasmo na realização de actividades, anteriormente apreciadas
  • demorar mais tempo na realização de actividades de rotina
  • esquecer-se de pessoas ou lugares conhecidos
  • incapacidade para compreender questões e instruções
  • deterioração de competências sociais e imprevisibilidade emocional

 

TRATAMENTO

Até à presente data não existe cura para a Doença de Alzheimer. No entanto, existem algumas medicações que parecem permitir alguma estabilização do funcionamento cognitivo nas pessoas com esta doença, nas fases ligeira e moderada. Também pode ser prescrita medicação para sintomas secundários, como a inquietude e a depressão, ou para ajudar a dormir melhor.

Para além do tratamento farmacológico, há a intervenção não farmacológica cujo objectivo principal é a estimulação das capacidades cognitivas, com vista à sua maximização e ao bem-estar da pessoa, nomeadamente no que respeita à sua adaptação à doença.

 

NECESSIDADES ESPECIFICAS

Cuidar de alguém com Alzheimer pode ser muito difícil e desgastante, sobretudo por causa da dependência que esta doença acarreta, pelo que se torna necessário recorrer a cuidadores qualificados, que no mínimo assegurem as essenciais pausas regulares na prestação dos cuidados por parte das famílias.

Para acompanhamento de doentes com Alzheimer e ou outras doenças demenciais, administração de medicação, cuidados de higiene e conforto, fisioterapia, terapia ocupacional, ou outro tipo de apoio domiciliário relacionado com este tipo de doenças, consulte a MyNurse.

 

Porquê um Enfermeiro?

A Enfermagem é a arte de cuidar e a ciência cuja essência e especificidade é o cuidado ao ser humano, individualmente, na família ou em comunidade, de modo integral e holístico, desenvolvendo de forma autónoma ou em equipe atividades de promoção, proteção, prevenção, reabilitação e recuperação da saúde.

Um enfermeiro tem competências e conhecimentos que outros cuidadores não têm, sendo essencial, para o doente um plano de cuidados de enfermagem individualizado que permita assegurar cuidados de qualidade e adaptados às circuntâncias de cada um. É um cuidador certificado e qualificado, com seguro de actividade profissional próprio, e que está  capacitado para dar pareceres, instruções ou examinar determinada situação com o fim de decidir sobre um plano de ação sobre sua área de conhecimento em relação às necessidades apresentadas pelo cliente.

Em determinados casos, colocar o doente nas mãos de um profissional não qualificado, pode ser um erro e uma desconsideração para com a pessoa que precisa deste tipo de cuidados, diminuindo a sua qualidade de vida e o seu conforto. Da mesma forma, se for possível a manutenção do doente no conforto da sua casa, em vez da hospitalização ou institucionalização, escolher o cuidador, de entre os que se encontram disponíveis e que são competentes para o caso, é fundamental para a prestação de bons cuidados.

Peça um conselho a um profissional qualificado, sem compromisso, e sinta a diferença e a segurança, de ter perto de si ou de quem precisa de cuidados, cuidadores diferenciados com código deontológico próprio e uma actividade regulada no mercado. São cuidadores com formação superior que além do estudo, revelam uma vocação própria e abraçam a missão a que se propõem com dedicação e empenho valorizando o paciente e os seus interesses em primeiro lugar.

Da elaboração de plano de cuidados, com diagnóstico de enfermagem, onde são estabelecidas intervenções/acções de enfermagem específicas direcionadas para as necessidades encontradas à monitorização do estado de saúde, há toda uma série de cuidados disponíveis através da Plataforma MyNurse. Registe-se e escolha um cuidador adequado a si e às suas necessidades. Consulte os seus perfis, as suas competências e a sua experiência para tomar a sua decisão de forma livre e informada.

Síndrome pós-férias… o que fazer para o ultrapassar

Estudos internacionais garantem que, em média, 40% das pessoas manifesta tristeza, irritabilidade, cansaço e alterações no apetite e no sono após um período de descanso.

Investimos tanto do nosso tempo a planear as nossas férias. Fizemos tudo para aproveitá-las ao máximo e, depois, num ápice, acabam! Como que por magia, todos os seus efeitos terapêuticos parecem desaparecer mal regressamos à vida do dia-a-dia.

Kathleen Hall, fundadora do The Stress Institute, um organismo que estuda o fenómeno nos Estados Unidos da América, também autora de livros como «Life in Balance» e «Alter your Life: Overbooked? Overworked? Overwhelmed?», explica-nos o porquê e quem mais sofre com esta perturbação que se manifesta no pós-férias:

Stress Pós-Férias.. Reacção Natural?

O stresse que costuma marcar o regresso ao trabalho envolve uma reação, muitas vezes difícil, de adaptação ao dever, em oposição ao lazer registado durante as férias. De acordo com Kathleen Hall, embora não exista muita  investigação sobre este problema, já que a maior parte das pesquisas concentra-se nos  benefícios psicológicos e para a saúde que as férias nos trazem, trata-se de uma  perturbação muito comum e natural.

«O nosso organismo abrandou durante as férias e o corpo desenvolve um ritmo novo, mais lento, do qual gosta muito mais. Recarregamos baterias ao nível físico e emocional e é normal que nos mostremos resistentes a acelerar novamente. Não fomos  programados para viver a um ritmo tão rápido e o nosso corpo e a mente tentam dizer-nos isso mesmo», explica a especialista.

A ansiedade e tristeza sentidas no regresso à rotina serão tanto maiores quanto mais longo for o período de férias, salienta ainda Kathleen Hall. Muitos especialistas aconselham, por isso, as pessoas mais propensas a este tipo de stresse para, em vez de fazerem períodos de férias muito prolongados, tirarem menos dias de férias… mais vezes!

Quem sofre mais?

Segundo a fundadora do The Stress Institute, a nível geral, as mulheres serão mais lesadas pelo stresse pós-férias, porque veem-se confrontadas com o trabalho que ficou por fazer. As mulheres costumam ver-se submergidas de imediato num sem número de tarefas domésticas associadas ao regresso a casa, grande quantidade de roupa para lavar e arrumar, compras para fazer, refeições para preparar e, em simultâneo, todas as obrigações associadas ao retorno ao emprego.

Mas não são só os adultos que sofrem. As crianças também são afetados pelo fim das férias. Como alerta Kathleen Hall, «depois de um período de relaxamento, os mais novos podem sentir-se cansados, mal-humorados e com dificuldade em levantar-se cedo. O apetite diminui e a memória pode tornar-se mais lenta. No entanto, esta é uma situação apenas temporária, de adaptação».

pós-férias

De que forma podemos prolongar os benefícios dos dias de descanso e não nos deixarmos derrotar pelo stresse pós-férias?

A Dra. Maria do Carmo Oliveira, Psicologa e fundadora do Clube Optimisto, refere que “o regresso ao trabalho, com a consequente passagem da tranquilidade para a agitação diária, poderá gerar alguma ansiedade. O nível de ansiedade sentido depende da forma como o trabalho é percepcionado: do grau de descontentamento que tem relativamente ao emprego, ou do grau de incerteza, do nível de exigência que sente existir no seu trabalho, mas também do relacionamento quem mantém com os restantes colegas.

Neste período, para além do regresso à rotina do trabalho, muitas famílias deparam-se ainda com a necessidade de articular os seus horários com os horários escolares dos filhos.

Até que a rotina da vida familiar seja restabelecida surge sempre alguma ansiedade. No entanto, o regresso ao trabalho não tem de ser necessariamente uma fonte de emoções negativas. A Dra Maria do Carmo Oliveira deixa-nos aqui várias estratégias que nos poderão ajudar a readaptarmo-nos ao ritmo de trabalho e a sentirmo-nos entusiasmados:

Programe a adaptação aos horários e rotinas com alguns dias de antecedência. Comece a deitar-se  progressivamente mais cedo, organize a sua casa, faça algumas tarefas que lhe permitam fazer uma transição mais suave do período de férias para o período de trabalho.

Programe um fim-de-semana fora, algo que o entusiasme, para algumas semanas depois de ter regressado ao trabalho.

Marque no seu calendário períodos em que poderá fazer pequenas pausas e programe o que irá fazer nesses períodos. Ao fazê-lo irá antecipar mentalmente esses momentos, o que contribuirá para sentir aquilo a que se chama o fenómeno da alegria antecipada.

Transforme o fim das férias num momento de alegria. Faça um jantar com amigos, partilhem as vossas experiências de férias, recordem os momentos divertidos, partilhem fotos.

Procure incluir na sua agenda semanal algo que seja para si um gerador de emoções positivas. Algo para fazer que lhe dê prazer, (increva-se no ginásio, em aulas de dança, natação, pintura, marque um dia para ir fazer jogging com amigos, etc.)

Leve consigo para o trabalho algo que o faça recordar emoções positivas que viveu no período de férias. Coloque uma foto das férias no ambiente de trabalho no computador.

Programe o seu primeiro dia de trabalho de modo a fazer algo que seja importante. Ao fazê-lo irá sentir o dia como mais gratificante e útil.

No primeiro dia levante-se um pouco mais cedo. Tome um pequeno almoço de que goste realmente com calma, e vá com alguma antecedência. Assim começará o dia de trabalho de forma mais calma, sem que o stress o afecte.

Faça uma pausa e recorra à sua imaginação, para o ajudar a sentir-se tranquilo sempre que sinta que está a ficar stressado. Reveja, mentalmente, um momento muito agradável que viveu no período de férias. Reveja-o ao pormenor como se estivesse a vivê-lo novamente. O nosso cérebro não distingue imaginação de realidade, pelo que, ao fazê-lo, irá sentir-se mais tranquilo.

Leve uma ideia nova para o local de trabalho. Algo que possa ser um contributo positivo para a sua  empresa.

Contribua para criar um bom ambiente de trabalho. Fale com os colegas de forma simpática, energética, motivada. Elogie com mais frequência. Crie momentos de humor saudável.

Envie uma mensagem de energia para os seus colegas ou vá um pouco mais cedo e deixe nas secretárias dos seus colegas uma mensagem positiva.

Se ainda se sentir desmotivado pense: “Afinal, vou regressar ao trabalho porque tenho emprego e isso é de certeza muito positivo.” A seguir sorria, eleve a postura, e siga para o emprego, não com cara de 2ª feira, mas sim com cara de quem tem algo para comemorar. (lembra-se como se sentiu quando o seleccionaram para o seu 1º emprego?) Antes de sair de casa olhe-se ao espelho e diga para si mesmo:

“Hoje vai ser um dia fantástico!”

Férias

Quero saber mais sobre: Slow Parenting

Por Madalena Motta Veiga, psicóloga, parceira MyNurse

No trabalho com crianças e adolescentes surgem, com alguma frequência, problemas relacionados com a ansiedade despertada pela necessidade de perfeição; o “filho perfeito” produto da projecção dos desejos e angústias do adulto; perfeito na escola, nas actividades, nas relações, etc. Estas ocorrências parecem cada vez mais agravadas pela aceleração continua do ritmo de vida, quer do adulto quer, consequentemente, da criança. Com muita regularidade as crianças apresentam-me (queixando-se da falta de tempo para brincar)  com horários semanais das actividades escolares e extra-escolares, com dias a iniciar às 8 horas e a terminar às 21 horas, com actividades obrigatórias ao sábado e com tempo livre apenas ao domingo que é, como me dizem algumas crianças e pais, obviamente para estudar. Note-se que nas treze horas diárias de actividades escolares e extra-escolares, muitas vezes, os intervalos são para refeições e para deslocações.
Precisamente com a finalidade de alterar hábitos e sensibilizar os adultos para as consequências e para as necessidades das crianças têm surgido movimentos e programas de desaceleração, num estilo bem americano: o “slow parenting”. Muitos dos preceitos destes movimentos apoiam-se num conhecimento há muito sustentado pela psicologia.

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É essencial para o desenvolvimento da criança o espaço para o jogo, para brincar, para o ócio, para o silêncio, para a frustração. O jogo ou a brincadeira são assim mediadores de desejo, não apenas para a criança mas também para o adulto (o jogo no adulto assume diferentes formatos, por exemplo, a politica), e como expressão de desejo traz consigo satisfação. A brincadeira está, na criança, relacionada com a inteligência de si mesmo, do mundo que a rodeia e dos outros, ou seja, é através do brincar que a função simbólica desperta, atribui-se sentido às diferentes expressões emocionais e ganha-se experiências de domínio e frustração. A necessidade que a criança tem de brincar ou de jogar parece ser, para os pais, mais fácil compreender do que a importância de momentos de prazer na experiência mais passiva da criança, a angústia que os pais têm do dolce far-niente. Frequentemente oiço pais a censurarem o tempo de desocupação dos filhos, desejam que os filhos não percam tempo e não estejam “prostrados no sofá ou á frente da televisão sem fazer nada”.

No livro “As etapas decisivas da infância” Françoise Dolto alerta-nos para a importância de muitos destes momentos, para a autora alguns adultos parecem temer o que pensam ser o vazio mental do filho, talvez porque, nos seus próprios momentos de ociosidade não encontrem bem-estar. É importante no desenvolvimento que exista espaço para o prazer de ouvir, de olhar, de sentir, de observar, prazeres inteligentes e por vezes meditativos que estimulam a criança para o conhecimento dela e do que a rodeia.
Hoje, o excesso de actividades das crianças associado à falta de períodos de ócio são muitas vezes responsáveis pela ansiedade, pela frustração e pelo entediamento que algumas das crianças sentem.

slowparenting

Se tiverem interesse em conhecer mais sobre o movimento americano slow parenting deixo aqui alguns links.

http://slowparentingmovement.wordpress.com
http://slowparentingteens.com/
http://slowfamilyliving.com/
http://parenting.blogs.nytimes.com/2009/04/08/what-is-slow-parenting/?_r=0