Dia Mundial de Luta contra o Cancro da Mama

Hoje, dia 19 de Outubro, celebra-se o Dia Mundial de Luta contra o Cancro da Mama

 

As doenças oncológicas constituem a segunda principal causa de morte em Portugal e têm um profundo impacto nos doentes, nas famílias e na sociedade em geral, sendo provavelmente das doenças mais temidas pela população em geral.

O carcinoma da mama é, na Europa, o tumor com maior incidência na mulher. Actualmente, em Portugal, com uma população feminina de 5 milhões, surgem 6000 novos casos de cancro da mama por ano, ou seja 11 novos casos por dia, morrendo por dia 4 mulheres com esta doença.

 O cancro da mama aumentou de forma muito significativa nas últimas três ou quatro décadas do século XX, sobretudo nos chamados países desenvolvidos. Sendo a forma de cancro mais frequente na mulher, raramente surge antes dos 30 anos de idade, aumentando significativamente a partir dos 45 anos e principalmente depois dos 60 anos.

Factores de Risco

Não é conhecida uma causa específica para o cancro da mama.

Traumatismos violentos na mama não provocam, por si só, cancro da mama; no entanto, é conveniente ter cuidado com as mamas.

A investigação tem demonstrado que há mulheres que apresentam um risco aumentado para cancro da mama, que se pensa estar associado a determinados factores de risco (factores que aumentam a probabilidade de uma pessoa desenvolver uma doença). Foram já identificados alguns factores de risco para o cancro da mama:

  • Idade: a possibilidade de ter cancro da mama aumenta com o aumento da idade; uma mulher com mais de 60 anos apresenta maior risco. O cancro da mama é menos comum antes da menopausa.
  • História pessoal de cancro da mama: uma mulher que já tenha tido cancro da mama (numa mama), tem maior risco de ter esta doença na outra mama.
  • História familiar: o risco de uma mulher ter cancro da mama está aumentado se houver história familiar de cancro da mama, ou seja, se a sua mãe, tia ou irmã tiveram cancro da mama, especialmente em idades mais jovens (antes dos 40 anos); ter outros familiares com cancro da mama, do lado materno ou paterno da família pode, também, aumentar o risco.
  • Algumas alterações da mama: algumas mulheres, apresentam células mamárias que parecem anormais, quando vistas ao microscópio; ter determinado tipo de células anormais, como sejam a hiperplasia atípica ou o carcinoma lobular in- situ, aumenta o risco de cancro da mama.
  • Alterações genéticas: alterações em certos genes (BRCA1, BRCA2, entre outros) aumentam o risco de cancro da mama; em famílias onde muitas mulheres tiveram a doença, os testes genéticos podem, por vezes, demonstrar a presença de alterações genéticas específicas. Assim sendo, em mulheres que apresentem estas alterações genéticas, podem ser sugeridas medidas para tentar reduzir o risco de cancro da mama e melhorar a detecção precoce da doença.
  • Primeira gravidez depois dos 31 anos
  • História menstrual longa:  mulheres que tiveram a primeira menstruação em idade precoce (antes dos 12 anos de idade), tiveram uma menopausa tardia (após os 55 anos) ou que nunca tiveram filhos (nuliparidade), apresentam um risco aumentado.
  • Terapêutica hormonal de substituição: mulheres que tomam terapêutica hormonal para a menopausa (apenas com estrogénios ou estrogénios e progesterona), durante 5 ou mais anos após a menopausa parecem, também, apresentar maior possibilidade de desenvolver cancro da mama.
  • Raça: o cancro da mama ocorre com maior frequência em mulheres caucasianas (brancas), comparativamente a mulheres Latinas, Asiáticas ou Afro-Americanas.
  • Radioterapia no peito: mulheres que tenham feito radioterapia ao peito, incluindo as mamas, antes dos 30 anos, apresentam um risco aumentado para cancro da mama; esta situação inclui mulheres com linfoma de Hodgkin que foram tratadas com radiação – estudos publicados demonstram que, quanto mais nova era a mulher, na altura dos tratamentos com radioterapia, mais elevado é o risco de vir a ter cancro da mama.
  • Densidade da mama: mulheres mais velhas que apresentam, essencialmente, tecido denso (não gordo) numa mamografia (raio-X da mama), têm risco aumentado para cancro da mama.
  • Obesidade após a menopausa: as mulheres que são obesas, após a menopausa, apresentam um risco aumentado de desenvolver cancro da mama. A obesidade está relacionada com uma proporção anormalmente elevada de gordura corporal; tendo em conta que o corpo produz alguns estrogénios (hormona feminina) no tecido gordo é, assim, mais provável que as mulheres obesas apresentem níveis elevados de estrogénios e, consequentemente, risco aumentado para cancro da mama. Alguns estudos demonstram que o aumento de peso, após a menopausa, aumenta o risco de cancro da mama.
  • Inactividade física: mulheres que são fisicamente inactivas, durante a sua vida, parecem ter um risco aumentado para cancro da mama; estar fisicamente activa pode ajudar a diminuir este risco, através da prevenção do aumento de peso e da obesidade.
  • Bebidas alcoólicas:  alguns estudos sugerem haver relação entre a maior ingestão de bebidas alcoólicas e o risco aumentado de ter cancro da mama. (Liga Portuguesa contra o cancro)

 

Sintomas e Sinais de Alerta

  • Alteração na mama ou no mamilo, quer no aspecto quer na palpação;
  • Nódulo (caroço) à palpação, perto da mama ou na zona da axila;
  • Sensibilidade no mamilo;
  • Alteração do tamanho ou forma da mama;
  • Retracção do mamilo (mamilo virado para dentro da mama);
  • Pele da mama, aréola ou mamilo com aspecto escamoso, vermelho ou inchado; pode apresentar saliências ou reentrâncias, de modo a parecer “casca de laranja”.
  • Secreção ou corrimento de líquido (branco, amarelo ou sanguinolento) pelo mamilo.

 

Rastreio do Cancro da Mama

De acordo com a Liga Portuguesa Contra o Cancro “A grande dificuldade em diminuir a prevalência dos factores de risco para o cancro da mama justificam uma prevenção secundária, isto é, que sejam concretizados procedimentos e atitudes de um diagnóstico o mais precoce possível das lesões malignas. Eles incluem o controlo rigoroso e periódico por mamografia e, quando adequado, ecografia, recorrendo ao aconselhamento pelo Médico Assistente, sobretudo a partir dos 40-45 anos”.

Atendendo a que não existem, ainda, medidas efectivas capazes de prevenir ou curar a doença em qualquer estádio de diagnóstico e a que mais de 90% das doentes com cancro podem ser curadas, se diagnosticadas num estádio precoce e adequadamente tratadas, não devem ser poupados esforços no diagnóstico precoce da doença (Direcção Geral de Saúde).

O Programa de Rastreio de Cancro da Mama é dirigido a mulheres assintomáticas (que não apresentam sintomas) com idade compreendida entre os 45 e os 69 anos e consta na realização de uma mamografia cada dois anos.

O rastreio é gratuito e organizado regionalmente em parceria com as Administrações Regionais de Saúde. No norte, centro e sul do continente, a Liga Portuguesa Contra o Cancro é o parceiro operacional, e no Algarve o parceiro é a Associação Oncológica do Algarve. Nos Açores e na Madeira, os programas são da responsabilidade dos Governos Regionais.

Na grande maioria das vezes a convocatória é feita (por carta) para a realização do exame numa Unidade Móvel que estaciona junto do Centro de Saúde da localidade. É ainda feita divulgação através de folhetos e anúncios na comunicação social local.

As mamografias são realizadas por especialistas e quando existem alterações a utente é convocada para uma consulta onde são realizados exames adicionais para um diagnóstico definitivo. Após cada consulta, algumas utentes necessitam de encaminhamento hospitalar e tratamento.

Pode consultar a localização das unidades de rastreio em http://www.ligacontracancro.pt

“Muitos dos factores de risco enunciados podem ser evitados, outros, como a história familiar, não podem ser evitados. É, no entanto, útil saber e estar consciente dos factores de risco, ainda que muitas mulheres com estes factores de risco não apresentem cancro da mama”.

Se pensa estar em risco de ter cancro da mama, deve discutir este facto com o Seu médico.

(Liga Portuguesa Contra o Cancro)

Posted on: October 19, 2016, by : MyNurse

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